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Radioastronomia

 

 

     O radioamador contemporâneo faz muito que abandonou aquilo a que convencionalmente se chamava de modelo popular de intervenção radioamadorística. Porque soube identificar, criar e manter as suas disciplinas, valorizadas pelos radioamadores confederados em associações filiadas na IARU, que criaram áreas temáticas, desenvolveram tecnologias e exploraram múltiplas vertentes culturais integradas, naquilo que se denomina por Cultura Tecnológica e Científica.

     O verdadeiro radioamador seja ele operador ou explorador, sabe encontrar-se a si mesmo, sempre consciente da cultura e da definição legal de que, amadores de rádio são todos os jovens e cidadãos que se dedicam ao estudo e à prática das tecnologias e ciências radioeléctricas, sem quaisquer fins lucrativos.

     O radioamador regressa à sua origem ocupacional, se as associações o souberem potenciar, elevando e mantendo um novo papel cultural, assim como o serviço e a utilidade educativa e pública do próprio radioamador.

     Tanto mais importante é a estruturação federativa e a qualificação dos radioamadores, enquanto agentes cívicos, de educação e cultura, como são, os evidentes resultados da sua longa contribuição tecnológica e científica pelo desenvolvimento, numa busca incessante de novas aplicações radioeléctricas de manifesto interesse.

     Vamos aqui considerar alguns exemplos entre as disciplinas ou as áreas temáticas incorporadas no Serviço de Amador e no Serviço de Satélite de Amador, quando se sabe que cerca de 70% do actual entendimento humano sobre o Universo Cósmico tem origem na radioastronomia e nos radioamadores.

     Considerando que a descoberta dos quasars, dos pulsars, dos black holes, do próprio Big Bang e ainda a descoberta das moléculas bioquímicas do hidrogénio e carbono, resultam todas elas, da actividade centrada na radioastronomia, melhor conseguimos compreender a importância que tem a radioastronomia entre os radioamadores que sabem explorar o vasto espectro radioeléctrico.

 

Os Radioamadores na Radioastronomia

 

     Durante algumas décadas apenas, assistimos aos resultados profissionais de muitos observatórios de radioastronomia, concentrados na observação, no estudo do cosmos ou do céu profundo, visto durante escassos períodos de tempo, quase sempre insuficientes, face à grandeza do próprio universo.

Por outro lado, sabemos que os radioamadores começaram entre amadores e profissionais, a rastrear vastas áreas desse cosmos, fazendo-o muito mais vezes e durante longos períodos de tempo. Embora os meios técnicos dos amadores na verdade não possam competir com os meios técnicos da generalidade dos observatórios profissionais, é bom dizer que os amadores podem conferir, porque deram um largo contributo prático, ao conseguirem atribuir mais tempo nas suas observações voluntárias.

     Temos a noção que o actual desenvolvimento tecnológico possibilita a integração de sistemas radioeléctricos, muito próximos daqueles que no geral compõem os modernos observatórios de radioastronomia. Logo, é possível que com esses meios técnicos os radioastrónomos amadores possam conferir um importante auxílio em trabalho útil, e um quasi ilimitado tempo de ocupação, dedicado sobre os mesmos temas de observação e registo.

     Os novos desafios da humanidade apontam para a necessidade de uma procura de soluções alternativas, absolutamente desconhecidas, isto porque a dinâmica do universo ou aquilo a que denominamos por Lei de Gaia, não travam mais o avanço imposto pela própria natureza das coisas.

     Falar de Vida e de Humanidade é visualizar temporalmente um relâmpago na escura imensidão do Universo.

 

 

A intervenção dos Amadores de Rádio na Radioastronomia

 

     A disciplina da radioastronomia é exercida através da aplicação sistemática de diferentes tecnologias de direccionamento, propagação e captação, de registo e processamento de informação e dados, por meio de técnicas de imagem e registo numérico.

     A radioastronomia feita através do registo de dados, resulta da observação por rádio do ruído radioeléctrico produzido por exemplo, por Júpiter, por meteoritos e por radiação solar entre outras fontes do ruído do cosmos em geral, entre muitas áreas a que nos queiramos dedicar. Esta é uma parte da radioastronomia que não requer equipamentos de custos muito elevados, e por outro lado, requer antenas relativamente simples. Ela faz-se geralmente através da adaptação e modificação para banda larga, de alguns modelos de receptores de radiocomunicações eventualmente ligados através de conversores de recepção que permitam receber diferentes bandas e espectros.

     A radioastronomia através de imagens envolve outros meios técnicos, como a utilização de antenas de alto ganho e de grandes dimensões. Ela requer rádios localizados em posições de baixo ruído e equipamentos receptores de banda larga. A necessidade de aqui se utilizarem equipamentos receptores de banda larga, deve-se ao facto dos objectos cósmicos irradiarem a sua energia radioeléctrica espalhada num vasto espectro de rádio, pelo que nestas condições, a captura de tais quantidades de energia espectralmente tão distribuída, exigem maior largura de banda quer dos receptores, quer das suas antenas.

     No quadro da Lei, as autoridades administrativas de telecomunicações, não contemplam ainda estas disciplinas, tal é ainda o atraso regulamentar em que estas matérias estão votadas, pelo seu pouco entendimento técnico e utilidade. Isto quando falamos de actividades milhares de vezes menos nocivas à saúde pública que a radiação de um vulgar telefone celular.

 

 

A recepção de dados

 

     O objectivo das observações feitas por amadores de rádio, tem por finalidade a ocupação cultural centrada nas ciências, exercida com o propósito de conseguir alcançar resultados novos e possivelmente invulgares, em termos de detecção cósmica. Tal como muitos astrónomos amadores descobriram supernovas e novos cometas, também o radioastrónomo amador, pode descobrir uma nova fonte de rádio, cuja radiação cósmica seja apreciável.

     A eficácia da recepção passa necessariamente pela adequada instalação de um bom sistema de antenas, que no geral tem grande aparato, mas é absolutamente inofensiva em termos de radiações. Porque trabalhamos com sinais, cuja intensidade de campo, está por vezes, 50 ou mesmo 100 dB abaixo do patamar de ruído do sistema receptor, situado a – 125 dBm.

 

 

A observação

 

     O propósito da observação é igual ao de qualquer outra ocupação com fim científico e tecnológico. Isto é, o acto funcional e técnico de se poder examinar o universo ou o cosmos profundo através dos meios radioeléctricos. Tudo isto se faz de forma ecológica, paciente, metódica, através da recolha e análise sistemática de dados, que são reunidos e posteriormente publicados entre as instituições e associações interessadas.

 

 

Os meios técnicos e o radiotelescópio

 

     O radiotelescópio de amador começa pela instalação de uma boa antena, adequada ao espectro de rádio que se pretende explorar, seja HF, VHF, UHF ou SHF. Depois consiste num receptor sensível (melhor do que –125dBm para 20 dB de SINAD) e com boa estabilidade de ganho, que permita seleccionar a sua largura de banda até alguns MHz, dirigindo-a em seguida para diferentes saídas de interface. As saídas do receptor devem estar integradas com sistemas de processamento de dados ou de imagem, que é normalmente feito através de cartas de aquisição, com conversão de sinais analógicos em digitais, para adequado registo e processamento computorizado dos dados.

 

 

O Radiotelescópio de Amador

 

     O radiotelescópio é no essencial um sistema receptor, integrado com uma boa antena e um amplificador de baixo ruído (melhor do que 0,5 dB de NF), com o qual se permite receber e medir a energia radioeléctrica com origem no espaço, ou a energia de radiofrequência irradiada pelos corpos celestes a partir do espaço exterior da Terra, ou cosmos.

     O sistema receptor de um radiotelescópio é composto e dedicado, pois ele tem de estar configurado numa aplicação espectral, pois não é fácil seleccionar bandas, pré-amplificadores e antenas.

     Esta pequena introdução, dirigida sobre o funcionamento e o diagrama de um radiotelescópio, tem por fim demonstrar que é fácil adaptar um sistema receptor de modo a que este funcione na captação da energia das ondas de rádio com origem cósmica.

 

Diagrama de blocos de um radiotelescópio, que pode funcionar em qualquer uma das faixas de HF, VHF, UHF e SHF

 

 

     O modelo do radiotelescópio ilustrado em cima, é talvez uma das configurações mais correntes e populares entre os amadores de rádio dedicados à disciplina da Radioastronomia, incluindo também muitos radiotelescópios de observatórios profissionais e universitários.

     Embora a electrónica incorporada num receptor rádiotelescópico, seja de facto elaborada, essencialmente pela sua elevada sensibilidade e estabilidade de ganho, o diagrama mostra os diversos andares de uma composição modular simples, por forma a permitir o seu melhor entendimento geral.

 

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