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SimSat

Programa Educativo Aeroespacial e Ambiental
Promovido pela:

LIGA AMBIENTAL PARA A EDUCAÇÃO JUVENIL E CIÊNCIAS DO MAR

(ONGA - organização não-governamental de ambiente)

Pára-quedas

Introdução

     O pára-quedas é um equipamento de arrasto que em movimento através de um meio fluido, impede a aceleração e a queda descontrolada de uma massa ou corpo.
Historicamente, o primeiro salto humano em pára-quedas foi realizado no ano de 1797, embora esta aplicação tenha permanecido sem utilização prática, e como mera diversão, durante mais de um século. Foi só durante a primeira grande guerra, que o pára-quedas se tornaria num eficiente meio de salvamento, sendo então empregue por balonistas ingleses, e por aviadores alemães, como meio de salvamento das quedas de grande altitude em acidentes aéreos.

Aplicação do pára-quedas

     O pára-quedas é actualmente utilizado no salvamento de vidas humanas em de acidentes aéreos, no lançamento de tropas, no envio de pessoal, equipamento de socorro e suprimentos, para regiões inacessíveis por outros meios marítimos ou terrestres. 
Na presente aplicação, o pára-quedas é utilizado como equipamento de recuperação de sistemas electrónicos para teledetecção ambiental e atmosférica.

     O pára-quedas quando se encontra fechado permanece dentro de uma bolsa fixada ao colete ou harnais do pára-quedista. Esse colete deve ser projectado de modo a ajustar-se firmemente ao corpo do pára-quedista, protegendo-o do violento impulso causado pela desaceleração e que ocorre quando o equipamento se abre. É necessário também que o pára-quedas possa ser descartado facilmente, sobretudo nas situações em que o pára-quedista desce na água ou aterra com ventos fortes, que o podem arrastar pelo solo.

Funcionamento do pára-quedas

     Imediatamente após o salto do avião, ou alguns segundos depois de abandonar o avião, o pára-quedista puxa um cabo ou linha (extractor), que remove o pino que mantém as abas do pára-quedas dentro da bolsa (harnais). Nessa altura, ao ser atingido pela corrente de ar o pára-quedas auxiliar, localizado entre as abas, é injectado por uma mola e puxa o pára-quedas principal para fora da bolsa, entrando através da boca do equipamento. O ar é aprisionado pela coroa do pára-quedas e a pressão criada espalha-se pelos seus gomos, inflando-os e produzindo a abertura total do pára-quedas. Alguns equipamentos pára-quedas possuem dispositivos automáticos que abrem o próprio pára-quedas a uma altitude determinada.

Gráfico 1

Payload 

do SimSAT

peso

(gr)

250

250

500

500

750

1000

1000

1500

2000

4000

5000

10kg

Pára-quedas

 

diâmetro

(cm)

peso

(gr)

60

100

80

100

80

100

100

100

120

150

140

200

180

250

180

250

180

250

200

350

260

350

320

500

Velocidade de descida

 ao nível do mar

metros por

segundo

metros por

minuto

quilómetros

por hora

5,5

328

19

4,1

246

14

5,3

318

19

4,2

255

15

4,3

258

15

4,2

255

15

3,4

203

12

4,0

239

14

4,5

271

16

5,5

338

20

4,8

288

17

5,5

328

19

Cálculos efectuados a partir da velocidade de ascensão do balão atmosférico e do pressuposto de que, por razões de segurança, a velocidade máxima durante a descida de um pára-quedas activado é nesta aplicação inferior a 6 metros por segundo, cerca de 20 Km/h ou 300 metros por minuto. No pára-quedismo militar e civil, a velocidade de sustentação é de 6,6 metros por segundo.

     Ao ser largado de um avião ou sistema lançador, o pára-quedista ou o equipamento lançado por pára-quedas cai em movimento acelerado, pois seu peso é maior que a resistência do ar. Na ocasião em que o pára-quedas se abre, a sua forma semi-esférica produz de forma imediata uma enorme resistência ao ar (meio fluido), originando uma forte desaceleração, e consequente diminuição da velocidade de descida. Durante a queda no vazio da atmosfera, ocorre o momento em que a resistência do ar, e o peso do próprio pára-quedista, se tornam iguais, é nestas condições que a queda é controlada e contínua, descendo o pára-quedas em velocidade constante até à sua aterragem.

 

Aterragem de um pára-quedas

     A aterragem de um pára-quedas é precedida de uma velocidade de descida constante e segura, que é inferior a 6,6 metros por segundo.
No lançamento de equipamentos e materiais, tal qual ocorre com o salto de pára-quedistas militares, é usado um pára-quedas com maiores dimensões, do que aqueles pára-quedas que são vulgarmente utilizados para as finalidades civis, pois nestas condições, o pára-quedas militar ou de recuperação de material e equipamentos, transporta mais carga do que um pára-quedista amador ou de competição. A força com que o pára-quedista atinge o chão equivale aproximadamente, à velocidade que resulta de um salto livre, feito a partir de 2,6 metros de altura em relação ao solo.

     Os pára-quedistas amadores e desportistas, mergulham em queda livre por centenas de metros, alterando a velocidade e a direcção da sua queda, controlada por contracção ou distensão do próprio corpo. Por motivos de segurança, os pára-quedistas amadores são obrigados a abrir os seus pára-quedas quando se encontram a pelo menos 670 metros de altitude em relação ao solo.

 

     Um problema muito comum nos pára-quedas construídos até aos anos de 1950 era a sua violenta oscilação, devida ao escape ou libertação do ar pelas bordas do equipamento pára-quedas. Constatou-se porém que, se o pára-quedas sofresse uma ruptura radical ao ser inflado, não oscilava, mantendo depois um deslizamento regular na direcção oposta à da ruptura. A partir desta verificação, foram projectados pára-quedas com razoável grau de controlo de direcção. 
Actualmente é possível controlar e manobrar um pára-quedas, com uma precisão suficiente para que um pára-quedista possa atingir um alvo de apenas alguns centímetros no solo, a mais de 2500 metros de altitude.

Aplicações do pára-quedas

     Conforme referimos, e se ilustra na imagem do lado esquerdo, são múltiplas as aplicações de um pára-quedas. Neste caso, a necessidade de se colocar em voo passivo na alta atmosfera terrestre equipamentos electrónicos para teledetecção ambiental e radiocomunicações, impõem naturalmente o uso de um sistema capaz de fazer um adequado travamento durante a queda de recuperação e aterragem, função essencial à recuperação dos referidos sistemas electrónicos. Para esta aplicação nada melhor e mais económico do que o uso adequado do pára-quedas.

     O pára-quedas utilizado pelo Projecto SimSAT – Simulação de Satélites, é um sistema especial, desenvolvido para a recuperação de cargas (payload) e que se pode inserir numa linha o cabo de suspensão, preso ao equipamento lançador e transportador aéreo, que no caso é um Balão Atmosférico, conforme se ilustra na imagem.
     Estes sistemas de voo passivo, podem elevar cargas e voar na alta atmosfera da Terra, até cerca de 250.000 pés (cerca de 80.000 metros).
Durante a separação do balão e consequente queda livre da carga, nada pode impedir o sistema de abertura do pára-quedas. Neste caso, e segundo as nossas aplicações, por medida de segurança, embora se trate de um pára-quedas de modelo tradicional, ele é simultaneamente composto por um sistema adicional interno e externo, que lhe permitem ao mesmo tempo, fazer uma adequada suspensão da carga, e impedir que outros cabos ou linhas se possam enrolar nas linhas ou fios de suspensão fixos nos gomos e impossibilitar a entrada de ar pela coroa e a abertura do pára-quedas.

 

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