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Estabilização
de Satélites
(Por:
Luís Filipe Santos - Universidade da Beira Interior) |

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1
- Introdução
A tecnologia
de satélite
teve seu grande impulso a partir do momento em que o homem
conseguir vencer a barreira do espaço.
Vencer a barreira do espaço era um sonho
antigo do homem. Muitas figuras se destacaram na história,
dentre eles Julles Vernes (1828-1905), com suas histórias
de ficção científica que na época
parecia impossível, com “viagem ao centro da Terra”,
“vinte mil léguas submarinas”. Na novela "Os
quinhentos milhões da Begun", Julles Verne descreve
um satélite artificial lançado por um canhão,
como já havia sido sugerido por Newton em um de seus
livros. Mais tarde, no ano de 1919, O americano Robert H.
Goddard, desenvolveu as bases da teoria de foguetes propulsores
construindo vários protótipos movidos com combustível
líquido.
Na literatura consta-se que as primeiras
experiências
com foguetes datam de 1935, realizadas pelos alemães
e norte-americanos e vinculadas à pesquisa de armas
bélicas. Entre os anos de 1935 a 1945, foram desenvolvidas
as bombas V1 e V2 pelo alemão Wernher von Braun onde
os princípios básicos dos foguetes lançadores
foram postos em prática, infelizmente, para a destruição.
Depois do satélite Russo Sputnik
ter sido lançado
para o espaço, a corrida espacial acelerou evidentemente
com o pioneirismo dos soviéticos.
A rivalidade militar existente entre
os Estados Unidos da América e a antiga União
das Republicas Socialistas Soviéticas originou um grande
desenvolvimento da tecnologia nos satélites, pois cada
potência
queria ser tecnologicamente superior com satélites
espiões
melhores que a adversária, que assim poderiam fotografar
e analisar dados do país contrário.
Geralmente, um veículo no espaço é instável
e está constantemente submetido a torques. Embora
as forças associadas a esses torques não sejam
normalmente suficientemente grandes para afectar a órbita
de um veículo no espaço, podem afectar significativamente
a atitude do veículo. Além do problema da estabilização,
há um problema independente do sentido, geralmente
um problema do controle activo, em que o veículo ou
uma parte do equipamento do veículo devem apontar
para um sentido específico. Considera-se, para um
exemplo, um satélite da exploração da
terra com câmaras e sensores infravermelhos que devem
sempre apontar à superfície da terra. Também
nas missões para investigar o sol
ou outros corpos celestes e missões de navegação,
as antenas devem manter ou adquirir os sentidos requeridos.
Existem dois tipos de estabilização,
a estabilização
activa e a estabilização passiva. A estabilização
activa permite um menor erro, é usada em satélites
onde é necessário um grau de precisão
muito elevado. A estabilização é levada
a cabo por meio de motores, giroscópios e jactos,
mas as vantagens da utilização ficam unicamente
pelo aumento de precisão, porque as oscilações
inerentes ao uso destes meios de estabilização
diminuem o tempo de vida do satélite bem como aumenta
consideravelmente o custo final do satélite, já em
si elevado. A estabilização passiva usa princípios
físicos para efectuar a estabilização.
O uso da estabilização aerodinâmica,
estabilização por rotação, estabilização
gravítica e estabilização magnética
permitiu diminuir a complexidade de sistemas do satélite
bem como o seu custo, o uso destes métodos de estabilização
permite um grau de precisão que varia de 1º a
4º.
Os desafios a curto prazo para a indústria
aeroespacial passam pela redução substancial
do custo dos satélites. Este objectivo passa pela redução
do custo de lançamento, o que é possível
com o advento de novas tecnologias que estão para
breve e
a redução de custo de todo o hardware inerente à construção
do mesmo, nomeadamente do sistema de estabilização.
O aumento do grau de precisão será outro desafio
para os engenheiros, pois cada vez mais o uso de satélites é indispensável.
Dentro de alguns anos as órbitas estarão a
ficar congestionadas, serão necessários satélites
mais pequenos e funcionais, e que não necessitem de
serem reparados com demasiada frequência. Esta tecnologia
foi aplicada na sonda espacial Deep Space I, que continha
ferramentas de auto-diagnóstico e auto-reparação.
Com estas medidas o custo final do satélite será substancialmente
reduzido, ficando assim a tecnologia acessível a todos.
Só com a aplicação de todas estas premissas
haverá um Boom na indústria espacial comercial,
trazendo benefícios óbvios para todos nós.
2
- Revisão Bibliográfica A realização
de muitos projectos científicos e técnicos
em órbita
impõe que se tome certas medidas para controlar a
atitude do satélite artificial. Para alcançar
estes requisitos utilizam-se os métodos de estabilização
passivo e activo. É mais rentável o uso do
método passivo em satélites pequenos, por este
método não consumir energia nem combustível
e não requer nenhum hardware específico, nomeadamente
sensores e actuadores. Outro aspecto vantajoso deste sistema, é que,
a massa do sistema de estabilização é de
apenas 3% a 5% do total do satélite.
2.1 - Estabilização
Gravitacional
Este método é o
mais usado de entre todos os métodos de estabilização,
este resulta na aplicação do campo gravítico
terrestre, provocando o torque desejado para a estabilização.
Este método de estabilização baseia-se
nas propriedades do campo gravítico central, elaborado
por Newton, que diz, um satélite com diferentes momentos
de inércia principais, numa órbita circular
possui quatro direcções de equilíbrio
estáveis, quando o menor eixo de inércia está na
vertical em relação ao plano da órbita,
e o maior eixo de inércia está numa posição
normal relativamente ao plano orbital. Facilmente pudemos
verificar que um satélite com um só eixo de
simetria, possui apenas duas posições de equilíbrio
estável, que é quando os seus eixos de simetria
coincidem com o plano vertical da órbita.
A configuração típica do
sistema para efectuar a estabilização
consiste em um satélite com uma “barra” que pode variar entre os 4m e
os 18m. A longa barra dará o torque gravítico necessário
para restaurar a sua posição. A barra por sua vez possui na sua
extremidade um sistema com duas esferas. A menor no interior da maior possui
um magneto que está sempre alinhado com o campo magnético da terra.
Entre as esferas existe um líquido de natureza viscosa, cuja finalidade
deste é dar o amortecimento necessário à estabilização
do satélite.
Existe outro sistema similar a este, acima referido, que usa o amortecimento
com
um sistema de eddy-current em lugar do líquido com características
viscosas.
A título de curiosidade, não
só pequenos
satélites
foram estabilizados segundo este método, também as estações
espaciais Russas Salyut-6 e Salyut-7, e o próprio Space Shuttle em grandes
missões usaram este método para a sua estabilização.
A seguir encontram-se algumas imagens de objectos
que usam este método de estabilização.

Fig. 1 - Satélite EOLE
Fig. 2 - Satélite Geos -1

Fig. 3 - Estação Espacial Salyut-6

Fig. 4 - Estação Espacial Salyut - 7
2.2 -
Estabilização Aerodinâmica
Para satélites
lançados
em órbitas baixas (menos de 400 km), é conveniente
usar este método de estabilização. A
utilização deste método na estabilização
de um satélite produz um efeito de orientação
ao longo da tangente da órbita.
O torque produzido é devido a um
estabilizador especial em forma de cone, produzindo um torque
devido ao
desvio do
centro aerodinâmico e o centro de massa.
Para
amortecer as oscilações características
destas órbitas
baixas, o satélite usa dois giroscópios com
um grau liberdade cada, ligados ao satélite através
de uma mola. O que acontece é que o satélite
perde energia devido ao arrasto subsequente, conduzindo a
uma precessão do satélite. A finalidade dos
giroscópios é fornecer um torque tridimensional,
regressando assim o satélite à posição
desejada.

Fig. 5 - Satélite Cosmos 149
Para o Cosmos-149 o uso deste método
permite uma estabilização nos três
eixos principais do satélite, os estabilizadores
consistem em um estabilizador aerodinâmico especial
e um amortecedor giratório. O estabilizador aerodinâmico é feito
de modo a que a sua parte lateral seja da forma de um cone,
esta forma permite restaurar o momento fazendo com que
o satélite efectue manobras de pitch e yaw restauradoras
de estabilidade, estas manobras trazem de volta o satélite
para uma orientação da direcção
do escoamento. O satélite também está equipado
com dois giroscópios de dois graus liberdade cada,
estes restauram os momentos de roll causados por alguma
perturbação, o grau de precisão deste
método é de +/- 5 graus.
A utilização deste método
em prol do da estabilização activa é devido à não
necessidade de utilizar sensores de orientação,
energia, sistemas de controlo activo e não precisar
de longos braços, e sobretudo do sistema ser praticamente
autónomo.
2.3
- Estabilização por pressão
solar Para
veículos de missões interplanetárias,
como sondas espaciais ou futuras missões tripuladas, é possível
usar a radiação solar como meio para a
estabilização.
Em órbitas geostacionárias,
o torque causado pela radiação solar é o
principal factor de instabilidade. De todos os fotões
provenientes do Sol, nem todos são absorvidos pelo
satélite.
São eles a fracção de
fotões
reflectidos, os fotões reflectidos
difusamente e os fotões absorvidos pelo satélite.

Fig. 6 - Diagrama de reflexão dos fotões
provenientes do Sol
A força criada pelos fotões
absorvidos resulta num momento transferido desses
fotões
para o satélite.

Cada fotão que nos chega vindo
do sol, vem com um momento igual à sua energia
dividida pela velocidade da luz, quando estes fotões
são absorvidos por um corpo negro, todo o
seu momento é recebido também. A luz
reflectida também possui um momento. Assim,
a luz que é absorvida deve ser devolvida com
o mesmo comprimento de onda e a mesma direcção
para não haver nenhuma perturbação
no objecto.
Uma maneira para conseguir estabilidade é colocar
o centro de gravidade do satélite mais perto
do sol do que os painéis solares.
2.4 - Estabilização magnética
Para
algumas experiências
científicas é necessário orientar
o satélite para o campo geomagnético. Neste
caso é colocado um magneto no satélite.
A interacção entre o magneto e o campo
geomagnético produz um torque restaurador, que
coloca o eixo do magneto (e do satélite)
alinhados com a direcção do campo magnético
nesse local e instante. Esta manobra restaurará a
posição de equilíbrio do satélite.
Este método de estabilização é interessante
do ponto de vista científico, pois a sua aplicação
permite não só manter estável o
satélite, mas também estudar o campo magnético
da Terra ou outro qualquer corpo.
Podemos ver alguns exemplos de satélites
onde se aplica este método de estabilização.
2.5 - Estabilização por rotação
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A estabilização
por rotação é usada para orientar
um determinado eixo do satélite no espaço
inercial. Este princípio baseia-se na estabilidade
que se adquire ao rodar sobre o eixo de maior momento
de inércia. Em longos intervalos poderão
existir alguns erros na rotação, erros
esses
devidos ao campo geomagnético,
ao campo gravítico, arrasto atmosférico,
excentricidade de órbita e pressão da
radiação solar. Estes erros originam uma
evolução mais lenta na orientação
do satélite para o seu eixo de rotação
e a respectiva velocidade. Se houver current loop instalado
no satélite, este pode compensar a influência
de torques que perturbem o controlo da orientação
e do eixo de rotação no espaço inercial.
O satélite é estabilizado
assimptoticamente ao longo do seu maior
eixo de inércia, se nele for instalado um sistema de amortecimento apropriado.
Existem
vários sistemas de amortecimento apropriados para este caso, por
exemplo, amortecimento através de um pêndulo, uma bola em um tubo,
anéis acentes em cima de um líquido com características
viscosas, etc.
Os parâmetros de amortecimento para este caso têm
que ser escolhidos para maximizar a dissipação de torques adversos à estabilidade
do satélite.
Outro aspecto importante, é se for possível,
colocar no satélite
uma roda cujo o seu eixo de rotação seja paralelo ao do satélite,
isto para melhorar a rotação e consequentemente a estabilização
do satélite.
É conveniente falar também no sistema de dupla
rotação,
embora não seja bem um sistema passivo, será mais um sistema
híbrido
visto que tem no seu interior um pequeno motor a rodar também, isto é,
por vezes deseja-se uma orientação para o satélite que
não
está orientada com o seu eixo de maior inércia, então
esse motor é colocado no interior. O torque produzido por esse motor é suficiente
para colocar o satélite estável, rodando este sobre
o eixo de menor inércia. Todo o satélite gira, exceptuado o seu
interior, isto para manter a atitude desejada, ou seja para manter por exemplo
as antenas alinhadas com a Terra.

Fig. 12 - Satélite TACSAT (Estabilização por dupla
rotação)

Fig. 13 - Satélite ISEE-1
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